sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Arte de ser feliz

Dominar uma arte exige tempo, é preciso compreensão da arte, sensibilidade para utilizar o material necessário e extrema paciência para aprender as habilidades básicas. Para o artista da vida a exigência é a mesma. O poder individual existe em estado latende em cada um de nós, e ele nunca morre, jamais nos abandona. Esta a nossa disposição diariamente, sempre que estamos conscientes e desejamos nos envolver com entusiasmo no processo de viver. A vida esta pronta para partilhar os seus recursos conosco, use-os para ser feliz.

Ouça o que o psiquiatra e escritor - AUGUSTO CURY - tem a dizer sobre o assunto neste vídeo.

Abraços a todos,

Ana Ligia.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

JOSÉ FERRAZ POMPEU - meu professor de pintura e um grande paisagista de Campinas












Casa onde residia o artista - Vila Nova, Campinas BR
JOSÉ FERRAZ POMPEU
Nasceu em 02 de junho de 1915, em Limeira - SP, Brasil. Desde a infância gostava de desenhar nas horas de folga e na escola primária era solicitado a ilustrar as aulas, desenhando no quadro negro.
Em 1933, à convite do Prefeito de Limeira - Major Levy Sobrinho - expôs suas primeiras telas à óleo e também retratou as altas patentes que retornavam do fronte, após a Revolução Constitucionalista de 1932.
Em 15 de fevereiro de 1934 Pompeu mudou-se para Campinas, onde foi trabalhar como desenhista concursado, no Instituto Agronômico. Cabia-lhe executar cartazes e informativos sobre o combate a doenças e pragas, e também sobre a classificação genética das plantas na área do café.
Até 1950 o futuro paisagista desenha por hobby nas horas de folga, ocupando-se de perfis feitos com aguada e bico-de-pena, perfeitos como fotografias. A partir dessa data passa a assumir o seu lado artístico nato e introduz a aquarela e a tinta à óleo aos seus desenhos.
Em 1952 expõe suas obras no Teatro Municipal de Campinas, com desenhos , aquarelas e óleos, com motivos de tipos populares, ruas e paisagens de Campinas. Desse primeiro passo decorre uma série de exposições individuais e coletivas.
Por sua sensiblidade artística nata, autodidata, foi convidado a pintar com os pintores de sua época: Orestes Pezzotti, Aldo Cardarelli, Lobo, Eneas Dedecca, Franco Sachi, José Rincon, Mário de Oliveira, etc. Desde 1952 o artista percorre Campinas e seus arredores em busca de boas paisagens para pintar, aos domingos, feriados e nos dias de férias. Seu trabalho, como paisagista, retrata todo o desenvolvimento histórico e urbano da cidade de Campinas.
Em 13 de setembro de 1966 Pompeu se aposentou, passando a realizar o seu grande sonho, que era viver somente para a pintura. Ele viveu só e feliz, dividindo os seus dias entre a atividade da criação artística e as aulas que ministrava a seus alunos, entre eles Ana Ligia Freire da Silva.
Ganhador de 62 prêmios, entre ouro, prata e bronze, nos Salões de Artes, Pompeu possui cerca de cinco mil obras espalhadas pelo mundo, nos EUA, França, Suíça e Irã: em palácios; salas de residências importantes; na coleção do ex-governador Adhemar de Barros; do ex-presidente da República do Uruguai Heduardo Victor Haedo e mais tarde doado ao museu daquele país; no Vaticano, em Roma, obra pintada para presentear D.Agnello Rossi, quando da sua visita à Campinas e Jundiaí. O pintor se orgulhava por ter sido o primeiro pintor homenageado em vida, com uma placa de prata, pela Prefeitura Municipal de Campinas, durante o 4° Salão Acadêmico de Belas Artes, em 1988, e porque seus quadros foram presentes a pessoas ilustres.
O grande artísta foi um homem simples, de alma boa e híper simpático. Era de estatura pequena, o que lhe rendeu o diminutivo do nome, Pompeuzinho.
Faleceu em 2002, deixando saudades àqueles que o amavam.

Obrigada Sonia pelo seu comentário. Adorei saber que você foi aluna do Pompeu, ele foi um grande artista, não é mesmo? Eu gostaria de conhecê-la e quem sabe, pintar juntas no campo, o que você acha?
Abraços,
Ana Ligia.

domingo, 11 de outubro de 2009

Apresentação da Òpera BASTIEN and BASTIENNE








IMAGENS E TEXTOS mostra a apresentação da ÓPERA BASTIEN AND BASTIENNE, de Mozart (1768).
O público se divertiu com as desventuras da camponesa Bastienne, quando ela perde o namorado para uma nobre dama da cidade. Desesperada a jovem busca ajuda do Mago Colas, que a aconselha fingir indiferença, a fim de recuperar o seu amado. Ela coloca o conselho em prática, mas Bastien não entende o recado. Desgastado emocionalmente ele também procura o Mago Colas, confessando amar a jovem camponesa. Depois de ouví-lo atentamente este lhe informa que sua ex-namorada já ganhou um novo amante. A pedido de Bastien o Mago realiza os seus supostos feitiços, garantindo-lhe recuperar Bastienne. Porém o jovem camponês quase pratica o suicídio, porque Bastienne insiste em lhe ser indiferente. No final o casal reconhece os seus exageros e se reconcilia, celebrando o amor e a felicidade.
A Orquestra Sinfônica Jovem de Campinas tocou brilhantemente, trazendo ainda mais emoções às aflições vividas pelos camponeses Bastien e Bastienne. Como abertura a Orquestra interpretou a Sinfonia número 1, em Mi bemol Maior, também composta durante a infância de Mozart, em 1764.

ELENCO
Bastienne - Érika Andrade
Bastien - Guga Costa
Mago Colas - Demerval Keller
Diretor de Cena - Gustavo Valezi
ORQUESTRA SINFÔNICA JOVEM DE CAMPINAS
Criada em 2002.
MAESTRO - Akira Miyashiro
VIOLINOS
Iris Goulart
Catarina Marchiori
Carolina Marchiori
Ricardo Camatari
André Silva
Renan Pereira
Lucas Miranda
Rodnei Souza
VIOLAS
Rodrigo Gianessi
Danilo Miranda
Diego Munhoz
VIOLONCELOS
Geneses Oliveira
Lucas Bracher
CONTRABAIXO
Paulo Henrique Deuber
FLAUTAS
Marina Pierucci
Raul Menezes
TROMPAS
Bruno Cutolo
Valdevino de Almeida
FOTOGRAFIAS
João Maria Silva Júnior
jotaemsi@Yahoo.com.br
fone: 19-3228.1902
cel: 19-9125.2201
A Associação Orquestra Sinfônica Jovem de Campinas, através de seu Presidente - Maestro Akira Miyashiro - agradece a todos que foram aos locais das apresentações assistir a esta programação. Também deixa aqui registrado os seus agradecimentos à Contec Org. Contábil - Eduardo Bordinhon, Mário Santanna, Paulo Justi, Veridiana Benassi; Padre José Luís Araújo e Paróquia Santa Isabel; Banda Villa-Lobos de Indaiatuba; e Departamento de Artes Cênicas da UNICAMP.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

VÍDEOS

Não deixe de ver o clip do Rio de Janeiro, abaixo, comemorando as Olimpíadas de 2016.

A ARTE NÃO TEM IDADE

IMAGENS E TEXTOS lembrou de você, que já dobrou o cabo da boa esperança e adora curtir o passado.

A música "Dio, Come ti Amo" deu nome ao filme na década de 60 e foi um grande sucesso de bilheteria. A cantora Gigliola Cinquentti (nascida em 1947) aparece como atriz em início de carreira; na cena final vemos o ator Marc Damon dentro do avião.

No outro filme Chico Buarque de Holanda e o Quarteto Vocal MPB4 defendem a música "Roda Viva", de Chico Buarque, no III FESTIVAL DE MÚSICA BRASILEIRA, promovido pela TV Record - 1967.

Na sequência, Hurricane Smith (1923-2008) canta "Don't let it Die", música gravada há uns 40 anos atrás mas que se mantém atual. Observe a letra da música.

Encerrando esta volta ao passado conferimos o clip dos Beathes (ano 69) durante a gravação da música "Get Back". Este vídeo foi achado nos escombros da antiga gravadora dos Beathes - ABBEY ROAD STUDIOS. Dois artistas consagrados atualmente aparecem no vídeo: um deles é o grande pianista americano Billy Preston, no clip ele aparece como tecladista; o outro é Mick Jagger, líder do grupo, que na época, começava a fazer sucesso.






CURIOSIDADES


A música "La Traviata", de Giuseppe Verdi (1813-1901) foi lindamente animada neste clip, Choeur Bohémiens.




A "Chuva" aparece no clip criativamente interpretada. Infelizmente nem sempre eu recebo os filmes com os nomes de seus autores, etc. Porém eu gostaria muito de colocar os créditos neles. Se você conhece os autores desses vídeos, ou sabe algo importante sobre os artistas que aparecem neles, por favor, escrevam-me para que eu possa incluí-los aqui.


Outra curiosidade é o vídeo sobre o trabalho de Ilana Yahav, pois ela demonstra uma incível habilidade com a areia. http://www.sandfantasy.com/. Confira.






Curiosíssima é esta introdução do HINO NACIONAL BRASILEIRO!!!!!... Ana Arcanjo, nascida em Santos-SP, foi membro da Cruz Vermelha durante a Revolução Constitucionalista de 1932 e conta-nos sobre a letra da introdução do nosso Hino Nacional. O vídeo é de Resende-RJ, fone:(24)3354.1052 - Edição de Imagens Vídeo Produções - http://www.javideoproducoes.com.br/.


COMEMORAÇÃO


Como não poderia deixar de ser o IMAGENS E TEXTOS comemora com este vídeo as Olimpíadas de 2016. Os jogos olímpicos acontecerão no Brasil, na cidade maravilhosa:


RIO DE JANEIRO.

A música é de Antonio Carlos Jobim, edição Clovis Lima e vídeo Youtube.


sábado, 26 de setembro de 2009

ARTE E AGRICULTURA


Olhando para a foto acima ninguém consegue imaginar que se trata de uma imensa obra de arte ao ar livre.
Com a chegada do verão algumas plantações de arroz no Japão ganham um colorido todo especial. A comunidade de agricultores de Inakadate, na província de Aomori é uma das mais conhecidas por produzir os trabalhos mais impressionantes desta combinação de arte e agricultura.
Esse resultado é conseguido plantando mudas de folhas de cores diferentes que vistas a partir de uma determinada altura, transformam- se em lindos quadros nas plantações de arroz.
Veja as fotos da safra 2009 em Inakadate.










Os japoneses estão de parabéns!...
Mensagem recebida de um amigo , por e.mail.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Sons, imagens e textos


MÚSICA
A MÁQUINA DE SOM
Esta incível máquina foi construída com a união dos esforços do Conservatório Musical ROBERT M. TRAMMELL e a Escola de Engenharia SHARON WICK da Universidade de IOWA.
A montagem durou 13h29. Foi feito alinhamento, calibração e decoração antes de gravar este vídeo. O esforço valeu a pena.
A máquina será doada ao SMITHSONIAN INSTITUTE, porém se encontra atualmente em funcionamento no MATTHEW GERHARD HALL da Universidade de Indiana, Bloomington.
Repare como nenhuma bola cai no chão.
Incrivelmente curioso, não?!...

A Alemanha festeja o Brasil interpretando "TICO TICO NO FUBÁ" de Zequinha de Abreu/Aloysio Oliveira, através da ORQUESTRA FILARMÔNICA DE BERLIM. Bravo! Ficou belíssimo.
TV Vale Tudo
http://www.tvvaletudo.com.br/
http://www.jgimenez.fot.br/
Confira!

DANÇA

TANGO ESCRACHADO
Belíssima atuação de Mariana Flores e Eduardo Cappussl, em "La Cumparcita"


Ballet "O LAGO DOS CISNES'

TEATRO
Teatro de Papel - ENNIO MARCHETTO
Bela apresentação desse humorista talentoso, conhecido mundialmente. Suas performances agradam milhões de pessoas em mais de 70 países e seu repertório possui mais de 300 tipos variados.
Ennio é italiano e nasceu em 20/02/1960.
www.enniomarchetto.com

CURIOSIDADE:
O artista autodidata - o CAMALEÃO

sábado, 15 de agosto de 2009

Ópera Bastien and Bastienne, de Mozart

Com mais de 600 obras, Mozart é um dos grandes compositores do Período Clássico, integrando a Primeira Escola de Viena ao lado de Haydn e Beethoven.
"BASTIEN and BASTIENNE" foi composta em 1768, com doze anos de idade, para o médico e amigo da família Dr. Anton Messmer. A letra é de F.W. Weiskern, J.H.F.Müller e J.A. Schachtner, uma adaptação alemã inspirada no pequeno intermezzo "Le devin du village", de Rousseau, grande filósofo francês. Bem recebida pelo público, essa pequena ópera impulsionou sua carreira, que contou com o aprimoramento desse gênero ao longo de sua vida.
A genialidade desse compositor teve início aos 4 anos de idade, quando compôs a sua primeira peça para piano, aos 5 anos escrevia peças para o cravo.
Aos 6 anos, com sua irmã Marianne, fêz uma tournée musical em Munich, à qual se seguiram várias outras. Seu pai Leopold - ótimo violinista - empregado da corte, percebeu o talento musical dos dois filhos (Mozart e Maria Anna) e aproveitou-os para ganhar dinheiro. O grupo fêz intensas viagens, com o pai exibindo os filhos prodígios, por toda a Europa entre 1763 e 1766. O garoto brincava tocando de olhos vendados, improvisando temas que a platéia cantarolava, etc. Mais tarde começou a aparecer sozinho, deixando os assistentes atônitos com a sua execução e composição.
Aos 7 anos compôs a sua primeira sonata e aos 8 escreveu uma sinfonia.
Mozart compôs 40 sinfonias, concertos para vários instrumentos, sonatas, trios, quartetos, quintetos e composições para orquestra e óperas. Em seu último ano de vida, já doente, entre outras obras escreveu a ópera "A Flauta Mágica" , um concerto para piano, um quinteto para instrumentos de corda e a "Missa de Réquiem". .
Wolgang Amadeus Mozart nasceu em Salzburgo a 27 de janeiro de 1756, residiu em Viena entre 1781 e 1791, sendo esse período de sua vida motivo de distorções históricas. Por um lado há os que acreditam na sua infelicidade quando adulto, sem conseguir um trabalho fixo a lhe oferecer certa segurança, e portanto estar sempre às voltas com a miséria. Para o historiador alemão Volkmar Braunbehrens - autor do livro "Mozart in Vienne" - Mozart chegou a ganhar mais do que qualquer outro músico empregado na cidade. Esclarece que a morte do compositor causou comoção local, chegando a receber uma cerimônia de "dor" na Loja Maçônica à qual Mozart pertencia , com o comparecimento de cerca de 4 mil pessoas. Ele não foi sepultado como indigente, pois naquela época só os nobres tinham direito a um túmulo individual ornamentado.
Suas composições são de grande pureza musical, cheias de brilho, alegria e frescor. Mozart foi reconhecido como um compositor de idéias fartas e admirado em vida. Sua característica marcante é a sequência de belas idéias numa composição. O Imperador José II (1781) , por ocasião da apresentação de Mozart em sua corte, recém chegado de Salzburgo, definiu essa sua característica da seguinte forma: "notas demais, sua música tem notas demais" . É justamente essa qualidade que espanta e seduz atualmente. Nos primeiros anos em Viena Mozart sobreviveu vendendo música de câmara. Percebeu depois que a ópera lhe renderia mais dinheiro e compôs a mais bela e perfeita trilogia lírica da música: Le Nozze di Figaro, Don Giovanni e A Flauta Mágica.
Em outubro de 1791 Wolfgang começou a compor o Réquiem, mas teve depressão e delírios de que fora envenenado. Já doente marcou ensaio para o inacabado Réquiem, instruindo o aluno Süssmayr sobre como terminar a obra. Dia 4 de dezembro os amigos cantaram parte do Réquiem em volta da cama de Mozart, mas com o avançar da noite ele piorou e faleceu à meia-noite e 55 minutos da madrugada do dia 05 de dezembro de 1791.
Mozart se foi, mas sua música permanece em todo o seu brilho e fulgor. A sua genialidade é inquestionável, foi o primeiro compositor na história da música que compôs para todos os tipos de público, e não só para audiências cativas, como as da Igreja e da nobreza.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A maior Arte: A ARTE DE VIVER BEM


Acabei de receber um e.mail que me entristeceu muito. Pensei sobre o conteúdo da mensagem, que foi um desabafo sincero, e concluí que além do apoio que eu podia oferecer a minha amiga eu também podia escrever este artigo. O mundo moderno exalta os modismos, que alimentam a vaidade, o individualismo, o exagero, o abuso, o deboche, a falta de ética e do respeito. Sem falar na falta de educação . Se nos esquecermos que Deus criou tudo o que existe e o que somos nos tornaremos selvagens como os animais. A educação nos elevará acima desse nível, fazendo-nos compreeender que precisamos dominar a parte instintiva do nosso ser. Afinal, O AMOR deve vencer. A Arte é necessária ao ser humano, porque ela é universal, refina o ser, eleva a alma, disciplina, valoriza o belo e o bom. A maior Arte de todos os tempos, com cereza, é a arte de saber viver bem.
Inicio citando uma lamentosa questão do filósofo Kung-fu-tze (Confúcio), do século VI A.C.:
"Por que o mundo cria inquietações para si próprio, se todas as estradas levam ao mesmo lugar e todos os pensamentos às mesmas conlusões?" Esta pergunta é inquietante também quanto a questão ecológica. Tantos anos se passaram desde então e o homem ainda não tem a resposta. Convido o leitor a refletir o assunto comigo, nesta busca de aprendizado da maior de todas as Artes: A ARTE DO BEM VIVER.
O homem e o mundo onde vive é ainda um potencial irrealizado - se é menos do que se pode ser. Vamos partir da idéia de que todo ser é presenteado com a "vida" ao nascer. Esse presente se esgota com o passar do tempo e termina num momento ao qual se dá o nome de "morte". No início dessa jornada há a infância e a adolescência, latejando de necessidade de pesquisar e transformar a própria vida.
A infância é o tempo de brincar,de experimentar, de explorar, de viver a fantasia. Tudo é novo e intrigante, nenhum obstáculo é intransponível. As crianças são potenciais totais, pois ainda copiam as outras pessoas da sua vida e seus egos ainda estão em formação.
A adolescência serve de ponte entre a infância e a fase adulta, é chegado o momento da construção do próprio "eu". É nessa fase que se dá o grito de "liberdade" da dependência da infância. É esta uma tarefa hercúlea do desenvolvimento - desenvolver e entrar em acordo com si mesmo - o jovem sente necessidade de auto-afirmação. Ele possui consciência do que sabe e do que não sabe e é humilde intelectualmente para aprender com aqueles que julga saber mais do que ele próprio. Mas, psicologicamente, o jovem precisa construir o seu território (para os seus gostos, opiniões e interesses) e quando esse seu novo espaço esbarra em território adulto (maduro) há um conflito de gerações. Dificilmente o adulto compreenderá as características vitais da adolescência, tão necessárias para a compreensão do ego (contradições, insolência, ressentimento, julgamentos precipitados). Nesse processo transformador o adolescente se sente só e alienado.
Segundo Danah Zohar, "a busca do sentido da vida é o principal indicativo da inteligência humana". Quando a vida tem sentido surge uma escala de valores. A nova geração é espiritualmente mais inteligente que as anteriores. Seu senso de busca de um sentido para a vida supera em muito o das gerações passadas. Essa busca se dá pela imposição de limites e só existe liberdade com limite. Ora, onde há espaço compartilhado há abertura para um novo espaço psicológico (liberdade individual e liberdade coletiva), os limites de cada um vão até onde estão os limites de todos. Compartilhar território implica em tolerância mútua. A tolerância permite expandir o território para além dos limites individuais (autoconhecimento) e este leva ao conhecimento do outro (à compreensão mútua).
Quando a liberdade ultrapassa os limites individuais, e não esta mais restrita ao ego, a ela se agregam novos valores. Quando ambos os lados expandem seus territórios a liberdade se valoriza com a paz. Este é um dos passos para a eliminação dos conflitos de gerações.
A sociedade atual só reforça o egocentrismo, a idéia de que tudo é válido. Reforça o desinteresse por algo que não pode alcançar, a ignorância de tudo que não gire em torno da sua vida. Além de ser uma deficiência pedagógica é também um descaso atual da boa cultura.
Nos dias atuais aceita-se passivamente a investigação da intimidade: "Big Brother", câmeras invisíveis para flagrar profissionais desonestos, políticos, testes de DNA. Mas é preciso respeitar as fronteiras da intimidade da criança e do adolescente para que eles tomem consciência de si mesmos, sem invasões de seus segredos. Ao serem respeitados eles construirão seus limites. Respeitá-los não significa excluí-los do mundo adulto, mas sim lhes mostrar os limites que devem respeitar ou transpor.
Os pais são a influência mais importante na formação dos valores dos filhos - o exemplo começa no lar. Um novo valor para a sociedade se inicia em casa (com a educação de novos hábitos e valores), para que na idade adulta os filhos achem natural respeitar o meio ambiente e a sociedade. Deve ser ensinado a eles que todos nós somos uma parte do ambiente, assim como todas as coisas são viventes. Afinal, há uma relação mútua entre homens, animais e vida vegetal. As crianças precisam aprender a respeitar e sentir afinidade com a natureza, a fim de preservá-la. Se queremos um mundo melhor é preciso cuidar com amor das nossas crianças e jovens para que eles se desenvolvam em adultos sadios. "A maturidade é um processo", ou seja, a idade por si só não transforma o adolescente em adulto maduro, para tanto é preciso vencer cada fase do caminho desse processo para o amadurecimento sadio.
As pessoas adultas sadias são como artistas, têm o desejo sincero de ser produtivas e de oferecer desta produção aos outros. Desejam criar e partilhar suas criações. Aceitam suas vidas e trabalho com satisfação e alegria. Colocam os seus talentos em cada esforço e a imaginação na recriação de suas vidas, diariamente. Os artistas maduros da vida são espontâneos, compreensivos, complacentes, receptivos a novas experiências. Harmonizam-se com as forças externas mas são autônomos, ocupados com o criar suas próprias vidas. Acreditam em suas necessidades pessoais e potencialidades, entendendo que às vezes são incompatíveis com as dos outros, mas confiam que do conflito possa surgir uma nova força positiva capaz de mudá-los. As pessoas maduras possuem um profundo senso espiritual vindo do seu relacionamento com as outras pessoas e com a natureza. Elas reconhecem o grande presente divino que é a VIDA. São afetuosas, amorosas e sexualmente receptivas; são sociáveis, têm amigos e um sentido de comunidade, são inventivas, serenas, determinadas e bem-humoradas. Utilizam-se de suas potencialidades, aceitam-se como parte da vida e partilham seu amor, sua alegria e sua sabedoria de uma forma aberta, não-exploradora e responsável.
Esse artista da vida existe dentro de cada um de nós, é humano e capaz da verdadeira intimidade, que combina os poderes e energias de outras pessoas maduras para o desenvolvimento constante de cada uma. Cada fase da vida deve ser vivida intensamente, pois para cada uma delas há o seu significado. Portanto viver é amar, compartilhar, dividir e ensinar. A vida sem o amor é vazia e destituída de significado. Precisamos começar amando o nosso semelhante, os animais e a natureza como sendo parte de nós mesmos. Na busca da nossa felicidade precisamos encontrar a alegria do compartilhar, do repartir, do dividir e do servir. Dominar essa arte leva tempo, compreensão, sensibilidade e paciência. É necessário querer experimentar, fracassar, arriscar, se frustrar e até se desesperar antes que se consiga despir totalmente as atitudes antigas e adotar esse novo modo de criar a própria vida. Mas você pode, pois a vida esta sempre aberta para partilhar seus recursos, experimente.
Ana Ligia.
Pesquisa: Do livro "Assumindo a Sua Personalidade", de Leo Buscaglia; texto "Além do Conflito de gerações" de Bentilo Frederico Becker; texto "Ser Pai e Mãe e Ser", de Domício Martins Brasiliense.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A IMAGEM

A força da imagem esta no fato dela produzir um estímulo instantâneo no indivíduo. Sua mente relaciona o que vê à experiência real, conhecida e experienciada, que jaz armazenada na memória. A percepção revive sensações semelhantes carregadas de significado.
A imagem se origina do mundo natural - visível - ou provem do imaginário - invisível - da memória, da fantasia, das projeções e das visualizações. As vezes a imagem se adapta aos códigos sócio-culturais e noutras vezes se altera para acompanhar o fluxo do seu tempo.
A Arte expressa as imagens que o homem forma dentro de si (ela é inerente a ele). Como linguagem, de comunicação e expressão, o desenho (arte) antecedeu em muito a escrita. Na pré-história a mão tentou desenhar traços, movida pelo pensamento nascente, que se desenvolvia lentamente. A experiencia foi fecundando a imaginação, aumentando a capacidade de raciocínio abstrato, muito importante para o desenvolvimento de civilizações: dos babilônios, dos egípcios. Os gregos não exitaram em absorver elementos de outras culturas, e, em todas as áreas do pensamento humano realizaram feitos que marcaram a história da humanidade.
O homem é portanto o grande autor das páginas da Hitória, expressadas pelos objetos, instrumentos e imagens que ele inventou. Os pensamentos, emoções, sentimentos, fantasias e visões, apesar de não serem objetos palpáveis e manipuláveis, possuem realidade física. Um pensamento é formado por centenas de impulsos eletroquímicos que percorrem o cérebro. Este armazena informações, sensações, percepções e compara, sintetiza, analisa, materializa as abstrações, inventa representações e fabrica imagens.
O homem sempre desenhou o homem e no início também a fauna. Através da Arte ele se elevou, através dela ele tomou consciência da sua capacidade criadora, sempre voltada para o belo e o bom. Em questão de Arte o belo possui manifestações variadas (por questões de cultura, de momento histórico, etc.). Há beleza também no feio porque a Arte vai além do conceito do bonito e bem feito. Ela é cheia de nuanças, assim como a vida, a considerar o gosto, a emoção, a educação, a posição social, a moda.
A nossa contemporaneidade abusa de certos privilégios, pois ocupa um lugar no espaço do tempo sem perder o elo com o passado e com as tradições. O passado, o presente e o futuro se mesclam no agora, numa sensação interna de relativismo, simultaneidade e multiplicidade. A História é atuante, comportando várias visões de mundo, que se manifestam através dos conhecimentos que marcaram uma época. Inserida nesse conjunto de conhecimentos a Arte atesta o seu valor estético, filosófico, espiritual e documental.
Analisando a História da Arte nota-se que no conjunto de suas manifestações expressivas e simbólicas, cada mudança de estilo geralmente coincide com as transformações perceptivas estruturais da relação do homem com o universo: através de novas técnicas, novos materiais, novas leis científicas, etc.
No século XX o desenho perdeu o seu caráter de intenção para se conectar com a indústria, ganhando uma força funcional - transformou-se em design. A partir desse século os artistas e manifestantes dos movimentos de Arte decretaram rupturas nas formas, a realidade é feita e desfeita a todo o momento. Os artistas plásticos investigam, procuram o senso no não-senso e o não-senso no senso. Há um processo além do dialético ainda em invenção. O artista precisa sempre de organização e instabilidade para o seu processo criativo em permanente construtividade simultânea.
A rapidez dos veículos de comunicação aprimoraram o gosto pela imagem e a capacidade de julgamento. A Arte diversificou-se (arte industrial, arte de propaganda,etc.) e esta em toda a parte: no cinema, na TV, nos livros, nos anúncios, na internet, etc. A imagem invadiu o mundo moderno (as vezes poluindo-o) impactando o sentido da visão. Este sentido possui a função de criar imagens mentais percebidos pelos outros quatro sentidos. As imagens constituem tudo o que o homem percebe ao seu redor, fornecendo-lhe elementos de formação de opinião sobre qualquer fato ou coisa.